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 CLÁUDIA LOPES.

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SALA EA-1.23 ESCOLA DE ARQUITECTURA

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DESORDEM ORDENADA

 

As formas de Desordem ordenada não são mais do que caixas rebatidas, contentores vários, objetos perdidos, elementos de um quotidiano. Do seu conjunto nascem ligações, inter-relações, ordenações, constitui-se um mapa mental, de pensamento. Do rebater faz-se a matéria do desenho, a matriz da impressão no papel. Da impressão revela-se a presença ausente da forma. O suporte é o papel, na constância, branco e sobre o suporte jaz a impressão, em marca de água, e tinta, também ela branca, que percorre a superfície para conectar folha a folha. A linha, contrapõe-se assim, à austeridade da forma. A forma que provém de um contentor faz-se agora contida. Contida no emaranhamento desordenado da ordem.

Assim Desordem ordenada é um conjunto de desenhos em modo de instalação instável. E por instável entenda-se impermanência, mutação, incompletude, crescença. Como um acto do pensamento, pode ser construtivo, construído, alterado, reagrupado, apagado e destruído.

Há então um falso vazio, numa poética da não forma. Tudo é apenas resquício indelével de um pensar, de um agir. No acto de criar, cria-se um mapa por definir, há forma, há direcção mas tudo permanece como uma “tábua rasa”. Tudo para uma continuidade do vazio.

Pede-se a forma, age-se sobre ela, encontra-se o nada onde a forma aparece numa presença evocada.

[1] ARNHEIM, Visual Thinking, U. California Press, p. 116.

CLÁUDIA LOPES

 

Porto, 1977

Licenciatura em Escultura pela FBAUP. Mestrado em Criação Artística Contemporânea pela Universidade de Aveiro.

É responsável pelo atelier de Expressão Plástica do Centro Hospitalar Conde de Ferreira.

Colabora regularmente em exposições desde 1999.

 

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