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 JOSÉ MIGUEL CARDOSO.

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ESTÚDIO UM / ESCOLA DE ARQUITECTURA

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PERCURSO INUSITADO DO PORTO

 

            O interesse inicial pelo trabalho partiu de um percurso pedonal, traçado ao longo da cidade do Porto, enquanto pretexto para começar a desenhar paisagem urbana. As questões surgiram durante a prática do desenho. Condicionei a observação e incorporarei o sentido táctil nos desenhos, questionando até que ponto conseguia alterar a perceção da paisagem.

            Estes desenhos foram pautados pela suspensão do campo visual confortável de observação, numa fuga à norma. Entendo como campo visual confortável de observação, o campo compreendido entre a altura dos pés das pessoas e o limite dos reclamos das lojas. Com esta suspensão são desenhados os mais inusitados elementos e enquadramentos da paisagem. Os elementos inusitados da paisagem são os menos usuais, os que causam mais estranhesa ou inquietação perante os espetador.

            A partir deste exemplo, propus questionar se pode o desenho alterar, no espectador, a perceção da paisagem.

            Neste sentido, pretendo lançar um projeto de investigação em desenho a partir deste percurso. Este projecto consistirá num guia da cidade do Porto, enquanto suporte para o desenho de paisagem. Um guia subjetivo, que não pretende localizar a posição da pessoa no mapa “Você está aqui!” ou conduzi-la a um local específico. Pretende sim, conduzir o seu olhar para a paisagem da cidade, assumindo autoridade para mover a cabeça daquele que caminha e olha, qual manual de instruções.

            A escolha dos locais da cidade do Porto que me apeteceram desenhar incidiu sobre diversos temas, como por exemplo: “o Porto escondido”, locais que os próprios cidadão não conhecem ou não passam. O revisitar highlights da Cidade, locais marcados por exemplo turísticos, mostrando o que normalmente não é visto. O Porto temporal, imagens de um determinado tempo, por exemplo século XIX, ou anos 50 do século XX. O Porto geográfico, desenhos de uma determinada zona geográfica da cidade, como por exemplo as descidas das escarpas para o rio Douro.

            Desde o início deste percurso recorri a diversos operadores como a supensão de elementos da paisagem, ou de zonas do campo de visão. Transgressão e intromissão, no sentido de interferir com o ponto de vista do espetador das imagens. Assim como diferentes enquadramentos, inicialmente na procura de novas imagens a partir da paisagem, e mais tarde contribuindo para a alteração da percepção da mesma paisagem.

            Esteve bastante presente nos desenhos a incorporação do sentido táctil, a procura de vibração das imagens, o carácter expansivo e passível de reprodução.

            A incorporação do sentido táctil no desenho, partiu de uma transferência de uso da gravura, para o desenho, num processo inverso ao convencional, do desenho para a gravura.

            Alguns conceitos-chave da gravura foram identificados, tais como a textura e a vibração causada pela sobreposição de tramas e pela textura própria do suporte da gravura –cobre– também presentes nas impressões resultantes. Estes conceitos, próprios da gravura e virtuosos na representação de espaço, foram sujeitos a uma transferência para o desenho desenvolvido ao longo deste projecto.

            Os desenhos com especial incidência sobre o sentido táctil foram feitos de dois modos: desenho de contorno cego e desenho de claro-escuro, com trama.

            Utilizei desenhos de contorno cego, de forma a canalizar a maior parte da concentração para os elementos que estou a desenhar através da observação, não me preocupando muito com o que estou a riscar na folha de papel.

            As linhas de contorno exterior e interior dos elementos da paisagem respondem de forma mimética ao olhar para os mesmos elementos, como se passasse por eles as pontas dos desenhos. Desta forma é provocada uma vibração no traço, que num desenho de contorno normal, não existiria. A vibração do traço incorpora esta componente táctil de olhar a paisagem.

            No caso dos desenhos de tratamento de claro-escuro feitos com trama, não existe uma preocupação pela observação. São na verdade desenhos bastante mais demorados, feitos a partir dos esquissos e contorno cego, nos quais pretendo revelar os volumes dos diversos elementos da paisagem através do claro escuro.

            Mantém-se este sentido táctil, através dos riscos, rasgos, sulcos, nos sucalcos da paisagem.

JOSÉ MIGUEL CARDOSO

 

NacionalidadePortuguesa

Data de nascimento27/11/1981

Formação académica e profissional:

Frequência do Mestrado em Desenho e Técnicas de Impressão – FBAUP  Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto – 2012

Curso de Desenho e Composição com Figura Humana (Avançado) – FBAUP  Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto – 2011

Curso de Paleografia -  Textus. As fontes manuscritas medievais e do inicio da idade moderna  FLUP – Faculdade de Letras da Universidade do Porto – 2010

Curso de Formação Inicial de Formadores – CEI – 2009

Máster en Disseny i Producci— Gráfica i Intermdia Universidade de Barcelona – 2008

Licenciatura em Design – Universidade de Aveiro – 2005

 

Principais disciplinas/competências profissionais:

Formador – Centro Tecnológico da Industria do Calçado, São João da Madeira – 2011

Designer – Carvalho & Oliveira – 2010

Designer Freelancer – 2009

DesignerChatron lda. 2008

Inov Jovem – Designer – Chatron lda. -2007

Designer Freelancer – 2006

Designer – IM – cozinhas, empresa de mobiliário de cozinha. 2005

 

Exposições

Exposição - 250 anos da Criação da Aula Náutica do Porto 2012 – Desenho de reconstituição da Casa do Navio. – 2012

Trabalho de investigação na área da identidade cultural portuguesa e memória colectiva, nomeadamente objectos portugueses do século vinte. Distinção pela Universidade de Aveiro, para a participação na exposição "Design for Senses - Objects for Senses Well-being" inserido no RomaDesign de 23 de Setembro a 4 de Outubro de 2005 em Roma, com um projecto de mobiliário clássico português de estilo Dona Maria e D. José.

Participação com um trabalho de azulejaria tradicional Portuguesa na exposição "identidade cultural e memória colectiva" desenvolvida pelos alunos da disciplina de Design estratégico do Curso de Design da Universidade de Aveiro, concebida e planeada pelo professor Pedro Carvalho de Almeida. Trabalho também publicado na "Search Megazine".

Distinção para fase final do concurso Philips – Lights of the future 2003, com proposta de candeeiro com lâmpadas LED.

Participação no 7º festival internacional multimédia, vídeo e fotografia - festivideo - na área de multimédia com a animação interactiva intitulada "a semiótica nos suportes digitais interactivos".  - 2003

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