01 JUL A 01 SET 09  .........................................................................

 RICARDO LEITE

DO NATURAL PARA O DESENHO

 

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SALA EA-1.23 ESCOLA DE ARQUITECTURA

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A composição intuitiva - a pose

Um professor de desenho tem, do meu ponto de vista, como objectivo principal, ensinar o aluno a aprender a desenhar. Isto é, colocar-lhe o problema, de tal modo que este, pela prática, possa sempre reformular os processos usados evitando ficar perpetuamente condicionado ás formulas do professor. Esta foi a questão que me ocupou como aluno, desde a minha entrada na faculdade de Belas Artes (na altura ainda Escola Superior) e tem sido a que me ocupa como praticante e professor. Sabia apenas que o que me interessava era o desenho da figura humana.
A forma, o peso e o movimento do corpo humano, assim como as sensações físicas que lhe são próprias, registadas com os grafismos do desenho, tem sido o que mais me tem ocupado na prática do desenho ao natural.
Decerto por flagrante ingenuidade, sempre aspirei a "nada saber" no início de cada desenho, fazer tábua rasa das poucas conclusões a que ia chegando á medida que praticava. Hoje não estou tão convencido que tal seja completamente possível.
Ao iniciar um desenho valho-me das aquisições que alguma experiência dá, como por exemplo a escolha da pose.
A escolha da pose comporta em parte a estrutura da composição; porquê em parte? Porque da localização do desenho na folha resultarão também diferentes composições. Deste modo, perceber-se-á como a articulação entre estes dois elementos compreende um entendimento não apenas da figura, como objecto de estudo, mas do desenho como construção e concepção de uma imagem. Aqui não poderei deixar de mencionar a importância que para mim tem o desenho gestual como treino na percepção intuitiva que faz colocar a figura no espaço da folha, evitando julgamentos á priori, muitas das vezes inibidores.
Fustiga-se os alunos dos primeiros anos com medidas e proporções usando poses que privilegiem a clara percepção das grandezas: frontalidades e nada de poses contorcionistas durante os primeiros anos é a receita. O escorço é avesso á medida. O que resulta como desenho nem sempre corresponde á medida percepcionada: Como ensinar isto aos alunos? São muitos e não há tempo; há que normalizar.

Interessa-me a pose vertiginosa, indomável, que ilude por forma a autonomizar a percepção própria do desenhador.


 

RICARDO LEITE


Nasceu no Porto em 1970

 

Licenciado em Artes Plásticas - Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) em 1999.


É docente na Escola Superior Artística do Porto desde 2000.

Formador no Curso Livre de Desenho na FBAUP desde 2006 e integra a equipa de formadores da Nextart - Escola de Experiências Artísticas em Lisboa desde 2004.

 

Participou em 2000 na exposição do prémio BP Portrait Award na National Portrait Gallery em Londres.
Vencedor do Prémio Revelação de Pintura Caixa Geral de Depósitos/Centro Nacional de Cultura em 2006.

 

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