ENCONTROS ESTÚDIO UM: TEMAS E OBJETOS DO DESENHO

 

# 5: DESENHO E PALAVRA

 

ALCINA MANUELA CARNEIRO

 

ESTA VIDA DE DESENHO

 – REGISTOS (I)MUNDOS NO CADERNO DIÁRIO

 

SINOPSE

 

O caderno, apresenta-se como um dispositivo dotado de uma operatividade, capaz de tanto guardar informações e absorvê-las nas suas páginas, mantendo-se impenetrável, como de se abrir e se desmultiplicar, tornando o seu conteúdo privado, acessível a qualquer interessado. Enquanto ferramenta de trabalho eleita dentro do território do desenho, pela sua dimensão e portabilidade, permite que a qualquer instante seja alcançado, para uma inadiável intervenção. Qual diário, este dispositivo não só regista e arquiva uma vida que se diz de desenho, como intervém no resultado dos mesmos, devido à sua própria natureza. Irei dar a conhecer uma prática artística pessoal, que se desenvolve dentro de um tipo concreto de caderno, segundo um método encontrado e que se assume como uma escolha criativa. Quanto aos desenhos de que se fala, são esquissos, despejos que nascem da necessidade de uma ação imediata.

Desenhar para ouvir melhor, foi a expressão encontrada que define a necessidade de desenhar sempre que preciso de estar concentrada numa outra atividade, principalmente em conversas ou palestras onde facilmente a distração me leva a deixar de ouvir o que está a ser dito, para entrar em pensamentos pessoais. Nestes casos, o desenho é usado como estratégia para me manter mais atenta, como se essa atividade apurasse o sentido auditivo, permitindo manter o gatilho acionado para apanhar o que me interessa e de imediato estabelecer relações com outros assuntos.

Escrevo para desenhar melhor, porque adoto estratégias da caligrafia na solução de problemas, ou modos de fazer do desenho. Como? Treinando especificamente o ritmo, a fluidez da linha, testando materiais ou modos de riscar. Inventando regras, tal como, escrever sem levantar o objeto riscador da folha de papel e sem olhar para ela. Uma espécie de caligrafia cega.

Desenho para ver melhor, porque raramente tiro fotografias, é um hábito, ou a falta desse que substituo por desenhos, riscos, palavras. Isso faz-me estar atenta aos espaços onde me encontro, tentando-me aperceber do máximo de detalhes e decorar toda a informação que for capaz. Apesar de nunca representar fotograficamente esses locais, os registos que deles ficam, comportam memórias muito precisas. São desenhos que não se fundamentam num conhecimento mimético mas mnemónico.

 

CV

 

Artista, Artesã, Educadora.

Licenciatura em Artes Plásticas-Escultura, na Faculdade de Belas artes da Universidade do Porto, 2006.

Mestrado em Desenho e Técnicas de Impressão, com o projeto-tese Esta Vida de Desenho- Registos (i)mundos no caderno diário, na Faculdade de Belas Artes Da Universidade do Porto,2011.

Docente na escola superior ESE IPP, no curso Artes Visuais e Tecnologias Artísticas.

Orientadora dos ateliers de Desenho e Trabalhos Manuais no lar de 3º idade, CCD-Lar Monte dos Burgos.

Colaboradora e responsável pelos ateliers de Caleidocíclos e Desenho na Casa da Imagem.

Desde 2009, parceira da Porto Digital, no projecto Memória Criativa, em relação com diversas escolas do Ensino Básico da cidade do Porto.

Vive e trabalha no Porto.

 

27 DE FEVEREIRO DE 2013 | 14H30

BIBLIOTECA

ESCOLA DE ARQUITECTURA DA UNIVERSIDADE DO MINHO

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